(Do informativo da CNBB Nacional)
Os bispos das dioceses de Rondônia, do Acre e do sul do Amazonas estiveram reunidos, de 21 a 23 de outubro, na V Assembléia Geral do Regional Noroeste da CNBB, realizada em Porto Velho.
De acordo com uma nota divulgada ao final do encontro, e assinada pelo presidente do Regional, dom Francisco Merkel, durante o evento foi apresentada uma análise crítica da situação geral vivida pela população da região. “Queremos manifestar nossa preocupação de pastores pelo presente e o futuro desta parcela do povo que Deus nos confiou e que forma as igrejas particulares do Regional Noroeste”, afirmam os bispos.
“Preocupa-nos o avanço do desmatamento para promover o agronegócio, a pecuária extensiva, o plantio de cana para produzir etanol. Olhamos com apreensão o inchaço de algumas cidades, resultado da migração contínua do interior destes Estados e de outras partes do país. Homens e mulheres procurando oportunidades de trabalho na construção das hidrelétricas já iniciadas no Rio Madeira. Se há um direito da pessoa de trabalhar e viver dignamente do fruto do trabalho, se há um dever do governo de desenvolver uma política energética visando um futuro melhor para o país, também há um grave compromisso de alertar para os perigos à qualidade de vida, particularmente das famílias carentes e das futuras gerações. Existe mais um agravante: há, segundo informações da Funai, povos isolados nas proximidades dos canteiros de obra. O que será deles”, alertam os bispos.
Segundo a nota, “há fortes razões para recear o impacto que as usinas hidrelétricas do Complexo Madeira podem causar à saúde e à vida de milhares de indígenas, ribeirinhos, seringueiros e quilombolas de toda a extensão do Rio Madeira”. Os bispos lembram a contaminação das águas pelo mercúrio que aumentará com a submersão de numerosas áreas de garimpo. “Trata-se de uma grande quantidade de mercúrio levada no ecossistema subaquático, aumentando a contaminação dos peixes”, dizem. Além de prejudicar a geração atual, a contaminação mercurial pode afetar também as próximas gerações, devido ao fato de o metal levar centenas de anos para ser absorvido. “Os efeitos nocivos do mercúrio sobre a saúde são muitos e gravíssimos atingindo os órgãos vitais, principalmente o cérebro”, enfatizam.
Os bispos lamentam ainda que o Estudo do Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto sobre o Meio-Ambiente tenha se limitado ao município de Porto Velho e manifestam perplexidade quanto à produção de energia, que conforme a nota, não favorece os estados de Rondônia, Acre e Amazonas, mas que é lançada na rede geral a partir do Estado de São Paulo. “Em outras palavras: a população local não se beneficia devidamente da energia produzida em nossa região”, afirmam.
“Reivindicamos em nome da população afetada, direta e indiretamente, mais diálogo entre os políticos e diretores responsáveis pela execução das obras e a população, disposição de ouvir com respeito o que os povos da região têm a dizer em relação a todos estes programas desenvolvimentistas”, concluem.
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